Moçambique surpreendeu o mercado financeiro ao liquidar completamente a sua dívida junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante o mês de março de 2026. A decisão, considerada inesperada por analistas, está a gerar forte repercussão entre economistas e investidores.
Até 31 de janeiro de 2026, dados oficiais indicavam que o país ainda devia cerca de 698 milhões de dólares ao FMI. No entanto, um relatório mais recente mostra que esse valor foi reduzido a zero em pouco tempo.
Segundo o economista Roberto Tibana, há indícios de que o pagamento tenha sido feito de uma só vez, já que não foram registadas amortizações graduais ao longo do período. A rapidez da operação levanta dúvidas sobre o nível de planeamento e a eventual coordenação com a própria instituição credora.
Com esta decisão, Moçambique passa a ocupar uma posição incomum entre países de baixa renda, que normalmente mantêm dívidas com o FMI devido às condições favoráveis desses financiamentos, como juros mais baixos.
Inicialmente, o país previa liquidar o montante de forma faseada até 2030, num total estimado de 572 milhões de dólares, incluindo cerca de 56,1 milhões em juros. Ao antecipar o pagamento, Moçambique junta-se a um grupo restrito de nações que conseguiram eliminar totalmente a dívida com o FMI antes do prazo.
Apesar deste marco, o país continua a enfrentar desafios no acesso a financiamento externo. O histórico recente de incumprimento ainda pesa na perceção de risco, levando algumas instituições financeiras a manter uma postura cautelosa em relação à dívida pública moçambicana.
Fonte: Tua TV